A Misteriosa Ciência do Tarô

Quando a maravilhosa civilização egípcia começou a declinar, a essência espiritual daquele povo estava irremediavelmente perdida, em razão das invasões externas, do predomínio militarista nos governos, propiciando assim o caos material e moral que em razão disso se instalara.

Os sábios, os grandes iniciados, aqueles que sempre preservaram nos santuários secretos os mais elevados e tradicionais conhecimentos daquele civilização, profundamente entristecidos se reuniram e deliberaram preservar de alguma forma para a posteridade, isto é, para aqueles que tivessem merecimentos em possuí-la, toda a síntese de uma grande sabedoria que dizia respeito às forças universais e a sua interação com a criatura humana, notadamente com as suas emoções, paixões, vicissitudes e os sentimentos mais recônditos da sua alma.

Aqueles santos homens discutiram bastante a maneira de preservar tais sagrados e muito antigos conhecimentos. Um deles sugeriu que fossem transmitidos por escrito e secretamente através dos futuros tempos, apenas aos homens de virtude. Porém, alguém sabiamente objetou que a virtude é uma coisa passageira pois se hoje ela existe, amanhã poderá deixar de existir.

Deliberaram, então, que a enorme sabedoria fosse velada, cifrando em imagens e símbolos todo o seu conhecimento universal em 78 lâminas do mais puro ouro que deveriam ser cuidadosamente preservadas, sempre em santuários secretos e destinadas ao estudo e meditação daqueles que, atingindo desenvolvimento iniciático, se dispusessem a nelas mergulhar para aumentar o discernimento, o conhecimento interior e a evolução espiritual.

E assim foi feito. Muito embora a glória do Egito se tenha extinguido com a partida do último dos iniciados, a sua imensa sabedoria desafiou as eras e um dos mais notáveis instrumentos dela, precisamente as imagens do Tarô, atravessou os tempos, sendo copiadas aqui e ali – e muitas vezes deturpadas e até mesmo inventadas por certos espertalhões sem qualquer conhecimento de causa!

Para princípio de conversa, e é bom que o prezado Leitor saiba disso, chamar as LÂMINAS de “cartas” ou “baralho”, bem como a sua manipulação ou OPERAÇÃO de “jogo”, além de se tratar de uma profunda heresia é também uma revelação de ignorância e de total desrespeito por algo muito sagrado.

Em segundo lugar, ninguém pode se arvorar em predizer o futuro, já que o futuro não é um fator definido e pode ser construído ou destruído precisamente no agora. E além do mais seria um sacrilégio, uma intromissão nos Desígnios de Deus! O que vai suceder, sim, pode variar do sutil ao dramático, muito mais rapidamente do que possamos pensar. Assim, as suas infinitas possibilidades sempre convergirão a partir do momento presente e por conseguinte o livre arbítrio de cada criatura pode verdadeiramente moldar, ou mesmo alterar, o desenrolar dos acontecimentos vindouros.

Em terceiro lugar, ninguém pode ensinar ou ministrar “cursos” para operar as Lâminas do Tarô. O máximo que alguém, verdadeiramente iniciado, pode fazer é apenas orientar a pessoa interessada a fazer aflorar um enorme conhecimento, latente, desde dentro. Pois as Sagradas Lâminas podem, segundo os iniciados, ser consideradas uma verdadeira “máquina de pensar”. Dizem até, que se alguém, vamos dizer encarcerado em uma prisão, dedicar todo o seu tempo à meditação e ao estudo de cada uma das Lâminas, terá adquirido um conhecimento universal e espiritual que o colocará muito acima de todos as demais criaturas do planeta.

Essas Lâminas desenvolvem extraordinariamente a percepção extrasensorial, colocando o operador (e trata-se de fato uma operação de Magia Branca!) em alta sintonia com as mais elevadas esferas do mundo espiritual, além de desenvolver maravilhosamente a clarividência e a intuição, já que elas não são absolutamente estáticas, sempre havendo nos eu elevado simbolismo muito mais coisas para se descobrir e pesquisar.

Assim, quando se ajuda uma pessoa através da operação do Tarô, é estabelecida uma maravilhosa sintonia entre o manipulador, o consulente e as Forças Superiores. Enfim, a Lei do Triângulo em sua plena manifestação!

As Lâminas do verdadeiro Tarô Egípcio são precisamente 78, sendo 22 delas consideradas os Arcanos Maiores e as restantes os Arcanos Menores. As primeiras dizem respeito às Forças Arquétipas do consciente coletivo, da natureza em manifestação, bem como o Macrocosmo – o Todo Universal que permeia tudo! Já os Arcanos Menores tratam profundamente das emoções e sentimentos humanos, representando ainda alguns princípios associados aos Arcanos Maiores que por sua vez atuam no mundo físico.

Conhecido também com O Livro de TOTH (o deus egípcio da sabedoria e patrono das ciências espirituais elevadas), a mais fiel cópia do Tarô deve conter nos seus Arcanos Maiores uma letra do alfabeto egípcio, com a qual cada Lâmina se relaciona, e três arcanos representativos dos planos físico, mental e espiritual do homem. Cada uma delas ostentará, por sua vez, um conceito, um atributo e um axioma. Além disso, estampam sinais místicos, cabalísticos, hieróglifos egípcios (quem opera deve conhecê-los!), signos planetários e certas marcas desconhecidas, muito provavelmente atlantes!

Já nos Arcanos Menores a parte superior de cada Lâmina terá uma letra hebraica, uma mística, um signo egípcio e os atributos de uma divindade daquela civilização. Em suma, atua no plano espiritual. Na parte média, relacionada ao plano mental, uma grafia que traduz em imagem o sentido do dinamismo a ele relacionado. Já na parte inferior, existirão símbolos místicos, astrais, alfabéticos e cabalísticos cujos dinamismos interagem no plano físico.

Como se depreende, trata-se de uma verdadeira ciência, coisa muito elevada e além de tudo bastante séria. Aliás, existe mesmo uma ética muito rígida quanto à operação dessas Lâminas: será perigoso e inteiramente vedado empregá-las para fins que não sejam formalmente sérios, fundamentalmente úteis e virtualmente legítimos!

E o verdadeiro operador, isto é, aquele que verdadeiramente conhece, sempre deve manipular as 78 Lâminas – nem mais, nem menos! E além de tudo existe um verdadeiro ritual iniciático de consagração dessas Lâminas que deve ser realizado quando pela primeira vez o operador as adquire e manipula – um processo de identificação e empatia do qual os empíricos e os aventureiros jamais poderão dispor.

E experimentem colocar nas mãos de certos “professores de Tarô”, ou mesmo dos adivinhos profissionais (os tais “jogadores de baralho”) as 78 Lâminas do Tarô Egípcio. Engolindo em seco e dando mil desculpas, dirão totalmente embaraçados que os “baralhos” deles (geralmente falsificados) são melhores; que isso de Egito é pura besteira; etc, etc.

Aliás, diga-se de passagem, o dom que é recebido de graça, gratuitamente deve ser distribuído. Assim como invariavelmente acontece com aqueles que têm a faculdade da cura através da aposição das mãos e se aproveitam disso para cobrar pelos seus “serviços”, logo logo os que utilizando-se dessa ciência do Tarô e da mesma forma procedem, além de estarem brincando com coisas que desconhecem terão perdido todas as faculdades (se é mesmo que as têm) e tornar-se-ão charlatães, impostores e vigaristas de primeiríssima qualidade.

Operando as Lâminas do Tarô, a sintonia estabelecida permite aflorar tendências futuras, baseadas nas circunstâncias presentes, as quais poderão ser extremamente úteis ao consulente, de modo que este, já sabendo de antemão as possibilidades, possa promover medidas e atitudes corretas que visem a neutralizar certos efeitos negativos da sua vida, ou mesmo saber os passos corretos a serem seguidos em determinadas circunstâncias. Nada mais que isso! Cada um plasma o seu próprio futuro!

A solução de todo e qualquer problema acha-se baseada em uma força que a propicia e outra que se lhe opõe. A regra fundamental é, pois, saber buscar a benéfica e reprimir a contrária. Não existem meios-termos!

As Sagradas Lâminas Egípcias, isto é, as originais, não se sabe em que mãos se encontram atualmente. Porém, através dos tempos certos meios iniciáticos divulgaram algumas cópias bastante fiéis, como foi o caso da The Hermetic Order of The Golden Dawn (Ordem Hermética da Aurora Dourada), uma sub ramificação da Fraternidade Rosacruz. Outros grandes iniciados, tais como Eliphas Levi, Papus e Court de Gebelin fizeram as suas versões. Também o povo errante dos ciganos adaptou-o às suas tradições e através dos tempos surgiram muitos outras tais como o Tarô Cabalístico e o de Marselha.

Todos têm seu fundo de tradição, mas não chegam aos pés daqueles que representam essencialmente os motivos pictóricos e velados da imensa sabedoria do Antigo Egito. Alguns mais recentes o fazem e mesmo não tendo os signos, hieróglifos e sinais herméticos constantes da versão primitiva, possuem nas suas imagens a síntese desses conhecimentos, sendo, portanto, válidos.

Como dizem que uma imagem vale mais do que mil palavras, quando se trata, porém, das 78 Lâminas do Sagrado Tarô Egípcio ousaríamos dizer que, nesse caso em particular, cada imagem vale, sem qualquer sombra de dúvida, muito mais do que um milhão de palavras!

TarôDuas excelentes versões do Tarô Egípcio. A
primeira muito mais simbólica pela presença dos três planos e
dos sinais místicos. A segunda, apesar de não tê-los
figurativamente, traz tais simbolismos velados na sua própria
imagem. Cabe ao operador buscá-los.

Fonte: Insólito! Mistérios do Céu, da Terra, do Espaço e do Tempo – Sérgio Russo

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