O Planeta Terra Irá Sufocar Em Lixo

A poluição tecnológica do espaço circundante está a ocorrer de uma forma tão intensa que nos próximos vinte anos podemos praticamente deixar de ter órbitas terrestres baixas seguras que possam ser utilizadas. Essa previsão sombria, mas que não é de todo nova, foi anunciada pelo presidente da Roscosmos, Vladimir Popovkin, na sua intervenção perante o Conselho da Federação.

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© Flickr.com/sammydavisdog/cc-by

O primeiro tipo de órbitas é a órbita heliossíncrona. Um satélite que nela se encontre, assim como os objetos terrestres que se encontrem por baixo dele num dado momento, são sempre iluminados pelo Sol sob o mesmo ângulo. Isso é muito cômodo e não é por acaso que a maioria dos satélites que observam da Terra para diversos fins, tanto militares como civis, utilizam essas órbitas. Essas órbitas se situam a uma altitude de seiscentos a mil quilômetros. Outra órbita, a geoestacionária, se situa sobre o equador da Terra a uma altitude de cerca de trinta e seis mil quilômetros. A sua comodidade consiste em o período de rotação de um satélite que se encontre nessa órbita ser igual ao período de rotação da Terra. Devido a isso, o satélite parece ficar “suspenso” sobre um determinado ponto do equador.”

Se as órbitas baixas já são na sua maioria usadas pelos satélites-espiões e pelos satélites científicos, já a órbita geoestacionária é simplesmente indispensável para os aparelhos espaciais que asseguram todo o tipo de comunicações, retransmissões, assim como de alerta precoce de ataques de mísseis. Neste momento, a órbita geoestacionária conta com várias centenas de satélites diferentes. A maioria deles são aparelhos em funcionamento, mas já há bastantes que já terminaram o seu período de vida útil e representam lixo espacial.

Segundo os dados obtidos por diversos serviços que monitorizam a órbita terrestre, a órbita geoestacionária tem em funcionamento, ou simplesmente presentes, mais de catorze mil objetos de origem artificial. São objetos cujas dimensões são superiores a dez centímetros, referiu o membro da Federação de Cosmonáutica da Rússia e membro da ARCT Alexander Zheleznyakov:

A quantidade de fragmentos mais pequenos de estágios descartados de foguetes-portadores, partes de satélites e tudo o mais já se cifra em centenas de milhares. Eles são praticamente impossíveis de monitorizar a partir da Terra. Os antigos aparelhos espaciais com reatores nucleares estão colocados na órbita cemitério, isto fica a cerca de 38 mil quilômetros de altitude da superfície Terra. Se bem me recordo, a sua quantidade total não supera as quatro dezenas. Houve um período em que eles eram lançados com regularidade para a órbita terrestre baixa, mas depois esses lançamentos terminaram.”

O presidente da Roscosmos Vladimir Popovkin informou que, há três anos, a probabilidade de haver uma colisão de um aparelho espacial com lixo espacial com dimensões superiores a um centímetro era estimada em um caso em cinco anos. Hoje, as hipóteses de colidir com um fragmento aumentaram para uma probabilidade em cada ano e meio a dois anos. As tripulações da Estação Espacial Internacional (EEI) são obrigados a manobrar pelo menos uma vez por ano para sair de zonas de perigo de aproximação de objetos de grandes dimensões. Para um satélite, nave ou para a EEI um encontro com um fragmento de um centímetro é equivalente à colisão com um automóvel que circule à velocidade de 80 quilômetros por hora. É impossível evitar a “multiplicação” e a trituração do lixo, os aparelhos desativados se desfazem e explodem. Tudo isso aumenta a quantidade de elementos que circulam caoticamente nas órbitas terrestres e que destroem o lixo que encontram na sua passagem.

As acumulações de lixo espacial continuam a aumentar e a ameaçar os satélites, as naves orbitais e as estações, assim como a população terrestre e a natureza. Mas também não podemos suspender os lançamentos porque a atividade da nossa civilização iria cessar sem as comunicações globais. Foram propostos, e continuam a sê-lo, diversos métodos para resolver o problema do lixo espacial, incluindo métodos tão exóticos como a recolha dos fragmentos com redes especiais. Até a estação soviética Mir ter sido afundada, tinha circulado a ideia de a usar para transporte de lixo.

No entanto, constatou Alexander Zheleznyakov, não foram ainda desenvolvidos projetos realistas para uma limpeza espacial que fossem exequíveis do ponto de vista tanto técnico como financeiro. Porém, temos de nos apressar porque a situação está se agravando de ano para ano e, num dado momento, o homem será expulso do espaço pelo seu próprio lixo.

Fonte: http://portuguese.ruvr.ru/

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