Meteoros no Brasil: O Terremoto Que Veio do Céu)

meteorito_basico_20130923-090724Com este título provocativo e com base em documentos da época, o autor reconstruiu uma curiosa história ocorrida no final do século 19 e revela a origem incomum de um forte tremor de terra ocorrido em território brasileiro.

Na manhã de 27 de agosto de 1887 moradores das cidades de Cananéia, SP e Paranaguá, PR, separadas por cerca de 80 km, sentiram a terra tremer.

Considerando a raridade do evento e a proximidade geográfica das cidades era de se esperar que, cedo ou tarde, os dois fatos fossem conectados. Mas isso não aconteceu, pois os jornais da época e a documentação encontrada trataram os episódios isoladamente. Mesmo o catálogo sísmico brasileiro, que reúne toda a informação conhecida de terremotos ocorridos no país, apenas menciona o evento sísmico de Paranaguá.

Somente agora, fundamentado em documentos históricos é que os dois episódios foram explicados pela provável queda ou explosão de um meteoro, possivelmente no mar, mas em um ponto não distante daqueles dois municípios.

Naquele dia, pessoas que transitavam pelas ruas de Paranaguá perceberam um nítido estremecimento do chão e a mesma sensação foi notada por soldados e detentos da guarnição da Fortaleza da Barra, na ilha do Mel, 17 km a leste da cidade.

Um canoeiro ouviu um grande estrondo e notou a elevação do mar no interior da baía de Paranaguá. Nessa cidade e em Antonina, o sistema telegráfico sofreu perturbações na “recepção e transmissão de correntes”.

A Gazeta Paranaense de 1/9/1887 informou que os tripulantes de duas embarcações que adentraram ao porto dois dias após o tremor haviam ouvido “um surdo e prolongado rumor, semelhante ao tiro colossal de peça de artilharia” e sentido um “pronunciado cheiro de enxofre”. No momento dessa observação um dos navios se encontrava entre as costas do Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

Surpreendentemente, em Cananéia, além das vibrações do chão e da percepção de um grande estrondo, vários moradores testemunharam a queda de um bólido em terreno próximo à cidade. Posteriormente, encontraram o ponto exato em que se dera a queda, pela abertura de um grande fosso no chão.

Diante da coincidência das datas, inclusive da precisão da hora e dos minutos e da relativa proximidade das cidades afetadas fica difícil não considerar uma origem única para o fenômeno.

Pelos diversos depoimentos percebe-se que o forte som, semelhante a uma grande explosão no ar, foi o elemento preponderante observado por todos e nesse contexto, o tremor de terra aparece como um elemento secundário.

Assim, pareceria razoável supor que o fenômeno foi provocado pela explosão de um meteoro ao penetrar na atmosfera em um ponto do espaço sobre o oceano, na altura da divisa da região sul/sudeste do Brasil. Mesmo ocorrendo a quilômetros de altura o impacto de uma explosão dessa natureza, entre outras coisas, produz ondas acústicas com energia suficiente para fazer vibrar o solo à semelhança de um tremor de terra.

Ao lado do registro de milhares de tremores brasileiros de origem tectônica estão uns poucos que aconteceram por causas diferentes, como os induzidos por grandes reservatórios hidrelétricos, ou pela exploração de minas subterrâneas. Agora, a esta seleta listagem de tremores incomuns poderia ser agregado o singular abalo da manhã de 27 de agosto de 1887.

No Brasil

Apesar de existirem dezenas de relatos sobre o impacto de meteoros no Brasil, algumas são realmente dignas de nota devido à colossal energia liberada.

A maior estrutura de impacto brasileira é conhecida como Domo de Araguainha, uma cratera erodida localizado na divisa dos estados de Mato Grosso e Goiás. Com diâmetro de 40 km, a feição foi criada há 250 milhões de anos por um objeto de aproximadamente 2 a 3 km de diâmetro. O impacto foi tão violento que escavou os sedimentos da Bacia do Paraná, na parte central do Brasil e deixou a mostra pelo menos 5 km do embasamento cristalino, o conjunto de rochas que compõe a porção externa da crosta continental.

Segundo alguns pesquisadores, parte da energia liberada pelo impacto vaporizou e fundiu rochas em um raio de vários quilômetros e amostras desse material puderam ser encontradas no continente africano que, na época, ainda estava unido ao sul-americano.

Utilizando relações entre energia cinética, escalas de crateras transientes e eficiência sísmica (Shoemaker 1983) a magnitude desse evento foi calculada em Mw = 11 (Marza & Veloso 2005) uma quantidade tão grande de energia que escapa à comparação de qualquer atividade desenvolvida pelo homem.

Para se ter uma ideia, o maior artefato nuclear já construído, a bomba termonuclear Tsar, detonada em 1962, tinha força de 50 megatons, ou 50 milhões de toneladas de TNT. No entanto, o episódio de Araguainha foi tão colossal que precisa ser quantificado na unidade teraton – equivalente a um milhão de megatons.

Outra comparação é dizer que sua energia foi cerca de 400 milhões de vezes maior que o principal terremoto já registrado no Brasil – o sismo de magnitude 6.6, ocorrido no Mato Grosso em 31 de janeiro de 1955. Apesar de o impacto ter sido um evento de idade geológica ele chama atenção por ter acontecido a cerca de 500 km de onde viria nascer a futura capital brasileira

Fonte: http://www.gazetaderondonia.com.br

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